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Navegação com Voltar e Para cima

Documentos do desenvolvedor

Implementação de navegação efetiva

A navegação consistente é um componente essencial da experiência geral do usuário. Poucas coisas deixam os usuários mais frustrados do que uma navegação básica que se comporta de forma inconsistente ou inesperada. O Android 3.0 introduziu mudanças significativas no comportamento global da navegação. Seguir cuidadosamente as diretrizes de Voltar e Para Cima tornará a navegação em seu aplicativo previsível e confiável para os usuários.

O Android 2.3 e anteriores se baseavam no botão Voltar do sistema para dar suporte à navegação dentro de um aplicativo. Com a introdução de barras de ação no Android 3.0, um segundo mecanismo de navegação apareceu: o botão Para Cima, consistindo no ícone do aplicativo e em um cursor para a esquerda.

Para Cima vs Voltar

O botão Para Cima é usado para navegar dentro de um aplicativo com base nos relacionamentos hierárquicos entre telas. Por exemplo, se a tela A exibe uma lista de itens e selecionar um item leva à tela B (que apresenta aquele item em mais detalhes), a tela B deve oferecer um botão Para Cima que volte à tela A.

Se determinada tela é a superior na hierarquia de um aplicativo (ou seja, a tela inicial do aplicativo), ela não deve apresentar um botão Para Cima.

O botão Voltar do sistema é usado para navegar, em ordem cronológica inversa, pelo histórico de telas em que o usuário esteve recentemente. Ele é geralmente baseado em relacionamentos temporais entre telas, em vez de na hierarquia do aplicativo.

Quando a tela visualizada anteriormente também for a superior hierárquica imediata da tela atual, pressionar o botão Voltar tem o mesmo resultado que pressionar um botão Para Cima — essa é uma ocorrência comum. No entanto, diferentemente do botão Para Cima, que garante que o usuário permaneça dentro do aplicativo, o botão Voltar pode retornar o usuário à tela inicial ou até mesmo a um aplicativo diferente.

O botão Voltar também suporta alguns comportamentos não vinculados diretamente à navegação entre telas:

  • Descarta janelas flutuantes (caixas de diálogo, pop-ups)
  • Descarta barras de ação contextuais e remove o destaque dos itens selecionados
  • Oculta o teclado da tela (IME)

Navegação dentro do seu aplicativo

Navegação para telas com vários pontos de entrada

Algumas vezes, uma tela não tem uma posição rigorosa dentro da hierarquia do aplicativo e pode ser acessada de vários pontos de entrada — como uma tela de configurações que pode ser acessada de qualquer outra tela no aplicativo. Nesse caso, o botão Para Cima deve escolher voltar à tela anterior, comportando-se de forma idêntica a Voltar.

Mudança de vista dentro de uma tela

Mudar opções de vista de uma tela não muda o comportamento de Para Cima nem de Voltar: a tela ainda estará no mesmo lugar dentro da hierarquia do aplicativo e nenhum histórico de navegação será criado.

Exemplos de tais mudanças de vista são:

  • Alternar vistas usando guias e/ou deslizando para a esquerda e para a direita
  • Alternar vistas usando um menu suspenso (também chamadas de abas recolhidas)
  • Filtrar uma lista
  • Classificar uma lista
  • Mudar características de exibição (como mudar o zoom)

Navegação entre telas de mesmo nível

Quando o aplicativo suporta navegação de uma lista de itens para uma vista de detalhes de um desses itens, frequentemente é desejável dar suporte à navegação de direção daquele item para outro anterior ou posterior a ele na lista. Por exemplo, no Gmail, é fácil deslizar para a esquerda ou para a direita em uma conversa para visualizar uma mais nova ou mais antiga na mesma Caixa de entrada. Assim como ao mudar a vista dentro de uma tela, tal navegação não muda o comportamento de Para Cima ou Voltar.

No entanto, uma exceção notável a isso ocorre ao navegar entre vistas de detalhes relacionadas não vinculadas pela lista de referência — por exemplo, ao navegar na Play Store entre aplicativos do mesmo desenvolvedor ou álbuns do mesmo artista. Nesses casos, seguir cada link cria um histórico, fazendo com que o botão Voltar passe por cada tela visualizada anteriormente. Para Cima deve continuar a ignorar essas telas relacionadas e navegar para a tela do contêiner visualizada mais recentemente.

Você tem a capacidade de deixar o comportamento de Para Cima ainda mais inteligente com base em seu conhecimento da vista de detalhe. Estendendo o exemplo da Play Store acima, imagine que o usuário navegou do último Livro visualizado para os detalhes da adaptação do Filme. Nesse caso, Para Cima pode retornar a um contêiner (filmes) pelo qual o usuário não navegou anteriormente.

Navegação para o seu aplicativo pelos widgets de tela inicial e notificações

Você pode usar widgets de tela inicial ou notificações para ajudar os usuários a navegar diretamente para telas profundas na hierarquia do seu aplicativo. Por exemplo, o widget Caixa de Entrada do Gmail e a notificação de nova mensagem podem ignorar a tela Caixa de Entrada, levando o usuário diretamente a uma vista de conversa.

Para esses dois casos, trate o botão Para Cima da seguinte forma:

  • Se a tela de destino é normalmente acessada de uma determinada tela dentro do aplicativo, Para Cima deve navegar para essa tela.
  • Caso contrário, Para Cima deve navegar para a tela superior ("Tela inicial") do aplicativo.

No caso do botão Voltar, você deve tornar a navegação mais previsível inserindo o caminho de navegação para cima completo na pilha de retorno da tarefa até a tela superior do aplicativo. Isso permite que usuários que se esqueceram de como entraram no aplicativo naveguem para a tela superior do aplicativo antes de saírem.

Como exemplo, o widget da Tela inicial do Gmail tem um botão para mergulhar diretamente para a tela de composição. Para Cima ou Voltar na tela de composição deve levar o usuário à Caixa de Entrada e, de lá, o botão Voltar continua até a Tela inicial.

Notificações indiretas

Quando o aplicativo precisa apresentar simultaneamente informações sobre vários eventos, ele pode usar uma única notificação que direcione o usuário a uma tela intersticial. Essa tela resume esses eventos e fornece caminhos para que o usuário mergulhe profundamente no aplicativo. Notificações desse estilo são chamadas de notificações indiretas.

Diferentemente de em notificações padrão (diretas), pressionar Voltar em uma tela intersticial da notificação indireta retorna o usuário ao ponto em que a notificação foi acionada — nenhuma tela adicional é inserida na pilha de retorno. Quando o usuário prossegue para o aplicativo da tela intersticial, Para Cima e Voltar se comportam como em notificações padrão, como descrito acima: navegando dentro do aplicativo em vez de voltar à tela intersticial.

Por exemplo, suponha que um usuário no Gmail receba uma notificação indireta do Agenda. Tocar nessa notificação abrirá a tela intersticial, que exibirá lembretes para vários eventos. Tocar em Voltar na tela intersticial retornará o usuário ao Gmail. Tocar em um determinado evento levará o usuário da tela intersticial ao aplicativo completo do Agenda para exibir detalhes do evento. Dos detalhes do evento, Para Cima e Voltar navegam para a vista de nível superior do Agenda.

Notificações pop-up

Notificações pop-up ignoram a gaveta de notificações, aparecendo diretamente na frente do usuário. Elas são usadas raramente e devem ser reservadas para ocasiões em que uma resposta rápida e a interrupção do contexto do usuário sejam necessárias. Por exemplo, o Talk usa esse estilo para alertar o usuário sobre um convite de um amigo para participar de uma conversa com vídeo, já que este convite expirará automaticamente depois de alguns segundos.

Em termos do comportamento da navegação, notificações pop-up seguem de perto o comportamento da tela intersticial de uma notificação indireta. Voltar descarta a notificação pop-up. Se o usuário navegar da janela pop-up para o aplicativo que realizou a notificação, Para Cima e Voltar seguem as regras de notificações padrão, navegando dentro do aplicativo.

Navegação entre aplicativos

Um dos pontos fortes fundamentais do sistema Android é a capacidade dos aplicativos de ativar uns aos outros, dando ao usuário a capacidade de navegar diretamente de um aplicativo para outro. Por exemplo, um aplicativo que precisa capturar uma foto pode ativar o aplicativo Câmera, que devolverá a foto ao aplicativo que o chamou. Esse é um imenso benefício para o desenvolvedor, que pode aproveitar facilmente código de outros aplicativos, e para o usuário, que tem uma experiência consistente para ações comumente realizadas.

Para entender a navegação entre aplicativos, é importante entender o comportamento da estrutura de trabalho do Android discutida abaixo.

Atividades, tarefas e intenções

No Android, uma atividade é um componente do aplicativo que define uma tela de informações e todas as ações associadas que o usuário pode executar. Seu aplicativo é uma coleção de atividades, consistindo em atividades que você cria e naquelas que reutiliza de outros aplicativos.

Uma tarefa é a sequência de atividades que um usuário segue para atingir um objetivo. Uma única tarefa pode usar atividades apenas de um aplicativo ou pode retirar atividades de uma série de outros aplicativos.

Uma intenção é um mecanismo para que um aplicativo sinalize que gostaria a assistência de outro aplicativo para realizar uma ação. As atividades de um aplicativo podem indicar a que intenções ele responde. Para intenções comuns, como "Compartilhar", o usuário pode ter vários aplicativos instalados que atendam a essa solicitação.

Exemplo: navegação entre aplicativos para suporte a compartilhamento

Para entender como atividades, tarefas e intenções funcionam juntas, entenda como um aplicativo permite que usuários compartilhem conteúdo usando outro aplicativo. Por exemplo, executar o aplicativo Play Store na tela inicial começa uma nova Tarefa A (veja a figura baixo). Depois de navegar pela Play Store e tocar em um livro em promoção para ver os detalhes, o usuário permanecerá na mesma tarefa, estendendo-a ao adicionar atividades. Acionar a ação Compartilhar exibe ao usuário uma caixa de diálogo listando cada uma das atividades (de diferentes aplicativos) que foram registradas para tratar a intenção Compartilhar.

Quando o usuário seleciona o compartilhamento via Gmail, a atividade de composição do Gmail é adicionada como uma continuação da Tarefa A — nenhuma tarefa nova é criada. Se o Gmail tivesse a própria tarefa em execução em segundo plano, ela não seria afetada.

Da atividade de composição, enviar a mensagem ou tocar no botão Voltar retornará o usuário à atividade de detalhes do livro. Toques subsequentes em Voltar continuarão a navegar para trás pela Play Store até chegar à Página inicial.

No entanto, tocando em Para Cima na atividade de composição, o usuário indica que deseja permanecer no Gmail. A atividade da lista de conversas do Gmail é exibida e uma nova Tarefa B é criada para ela. Novas tarefas são sempre vinculadas à Página inicial, portanto, tocar em Voltar na lista de conversas retorna a ela.

A Tarefa A persiste no segundo plano e o usuário pode voltar a ela mais tarde (por exemplo, via tela Recentes). Se o Gmail já tivesse a própria tarefa em execução em segundo plano, ela seria substituída pela Tarefa B — o contexto anterior é abandonado em favor do novo objetivo do usuário.

Quando o aplicativo é registrado para tratar intenções com uma atividade em um ponto profundo da hierarquia do aplicativo, consulte Navegação para o seu aplicativo pelos widgets de tela inicial e notificações para ver orientações sobre como especificar a navegação Para Cima.